domingo, 2 de março de 2008

Delírio " Secos e Molhados"

Delírio

Não vou buscar
A esperança
Na linha do horizonte
Nem saciar
A sede do futuro
Da fonte do passado
Nada espero
E tudo quero
Sou quem toca
Sou quem dança
Quem na orquestra
Desafina
Quem delira
Sem ter febre
Sou o par
E o parceiro
Das verdades
À desconfiança.
Tela de Goya

sábado, 1 de março de 2008

Ainda ontem...


Ainda ontem senti seu olhar
Ele não desviava a direção...
Devia ter acostumado,
Desde que te esqueci,
Resolveu lembrar-me...
Teu pensamento era de outra
Vivi um mundo onde nada era meu
Cansei, chorei, desisti....
Rompi a ano rezando à grande mãe
E rogando esquecer-te...
Foi fácil.
Te esqueci
Mas desde que te esqueci,
Resolveu lembrar-me.
E num encontro casual,
Reclamastes do meu beijo...
Já não era o mesmo,
Reclamastes do meu corpo,
Já não tinha linguagem,
Te desejava por este simples momento.
A mágica dos corpos havia se perdido,
E só então pode perceber que já não te pertencia ...
E muito tempo se passou, acontecimentos nos afastaram ainda mais
Mas seu olhar ...
Iniciou sua trajetória em minha direção
Já não havia o que falar
Eu entendia, você entendia...
Não havia mais vontade...
Não havia mais mágica...
E o tempo se passou...
E o tempo se passou...
Ainda ontem senti seu olhar...
E ele permanecia na mesma direção...
E no simples cumprimento meu ao que hoje chamo amigo...
Senti que teu corpo falava,
Senti tuas mãos a percorrer meus cabelos,
Senti suas mãos nas minhas,
Senti a vontade do beijo,
Senti também que os tempos de outrora não haviam voltado,
Simplesmente ...
Senti o olhar que não mudava a direção...
Senti você ali,
Senti algo,
Senti vontade
Senti o beijo
Já não sei o que será...
O que apenas sei...é que não costumo errar mais de uma vez....
e sinceramente não sei dizer....
Se voltar a olhar você não seja um erro!
Maira Motta
em 01/03/2008
Tela de Edwin Church

É preciso dizer...


Não te esqueças de que a tua frase é um acto. Se desejas levar-me a agir, não pegues em argumentos. Julgas que me deixarei determinar por argumentos? Não me seria difícil opor, aos teus, melhores argumentos. Já viste a mulher repudiada reconquistar-te através de um processo em que ela prova que tem razão? O processo irrita. Ela nem sequer será capaz de te recuperar mostrando-te tal como tu a amavas, porque essa já tu a não amas. Olha aquela infeliz que, nas vésperas do divórcio, teve a ideia de cantar a mesma canção triste que cantava quando noiva. Essa canção triste ainda tornou o homem mais furioso. Talvez ela o recuperasse se o conseguisse despertar tal como ele era quando a amava. Mas para isso precisaria de um génio criador, porque teria de carregar o homem de qualquer coisa, da mesma maneira que eu o carrego de uma inclinação para o mar que fará dele construtor de navios. Só assim cresceria essa árvore que depois se iria diversificando. E ele havia de pedir de novo a canção triste. Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento, porque ele te faria desgostar de mim. Não te farei censuras: elas irritar-te-iam justamente. Não te direi as razões que tu tens para amar-me, porque não as tens. A razão de amar é o amor. Também não me mostrarei mais, tal como tu me desejavas. Porque tu já não desejas esse. Se não, amar-me-ias ainda. Mas educar-te-ei para mim. E, se sou forte, mostrar-te-ei uma paisagem que fará de ti meu amigo.

Antoine de Saint' Exupéry

In Cidadela.


Para homens e mulheres.....rsrsrs
Tela de Edwin Chuch

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Ilusão e pensamento


As pessoas nos dizem para acreditar e em que devemos acreditar!
Como se a crença fosse um objeto que simplesmente pudéssemos tomar posse!
Acreditar é ter confiança! É algo que pertence apenas ao sujeito que confia!
É um sentimento que além de subjetivo é algo que paira sobre a verdade! Acreditamos em algo que não podemos constatar... Se assim não fosse não diríamos acreditamos mas apenas sabemos, conhecemos! Seria bom acreditar... Simplesmente porque queremos... e tudo como em um passe de mágica se resolveria! Viveríamos iludidos todo o tempo... e assim sem consciência dos problemas eles não existiriam para nós. A Ilusão serviria para sonhar....para esquecer....para se consolar! Acreditar... Palavra forte, mas que trás consigo a ilusão, a ilusão de tentar enxergar as coisas como elas não se mostraram ser... Ou quando nem se tem este possibilidade do não mostrar, ainda quando se tem a consciência de que algumas coisas no mundo nunca serão desveladas! Como seria confortante acreditar no que professam muitos!...Infelizmente o querer não basta!
As coisas são o que são e não como devem ou queremos que sejam! Devemos conhecer as coisas como são, amá-las como são e nesse mundo repleto de realidade e ilusões devemos também ser ....simples como as coisas são... e tudo será menos complicado, menos explicado e tudo se tornará mais sentido!Pois não somos coisas apenas para nós mesmos e isto também é algo de subjetivo! Abandonar o mundo da fantasia não é abandonar o encanto, mas mudarmos a direção do nosso olhar, e assim, poder voltar a enxergar o encanto do real que a muito se perdeu...Já não vemos encanto no outro, no sol, na lua, no mar, na flor e em nós mesmos! Há mais mistérios no real do que podemos supor e ainda assim continuamos a criar ilusões! Continuamos a tentar explicar o inexplicável... A extinguir o inexorável....buscamos sempre as últimas gotas do pote.E na vida ...se não encontramos o pote...o nada e a ausência nos amedrontam...surgem daí as ilusões...da fuga da realidade... da busca pela última gota do pote que deve ser imaginado... criado por nossa mente....ilusão....porque simplesmente, na realidade ele este nunca esta aí, estando ao mesmo tempo sempre presente!


Maira Motta em 25/02/2007

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A Vida só é possível se reinventada.


A vida só é possível reinventada.

Anda o sol pelas campinas e passeia
a mão dourada pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas que vem
de fundas piscinas de ilusionismo...— mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as
algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira!
Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro,
não te alcanço...Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível reinventada.


Cecília Meireles

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

"Das Leben der anderen" - A vida dos outros


Um filme indescritível! De uma sensibilidade fora de série, só assistindo para conferir!!! A atuação de Ulrich Mühe (Gerd Wiesler) e Sebastian Koch (Georg Dreyman)me emocionaram e despertaram em mim uma angustia e um turbilhão de sentimentos durante todo o filme. O roteiro não poderia ser melhor desenvolvido, a riqueza de cada cena e a precisão de cada diálogo sem dúvida deve ter contribuido para o grande sucesso deste filme! É este o primeiro grande sucesso do diretor Florian Henckel von Donnersmarck, nascido em Colônia na Alemanha. O filme foi premiado como melhor filme na 19ª edição do European Film Awards, cuja cerimônia ocorreu em Varsóvia ,sendo premiado também o roteiro e Ulrich Mühe, protagonista do filme que recebeu o prêmio de melhor ator!Vale acrescentar que foi indicado pela Alemanha ao Oscar de melhor filme estrangeiro e como era de se esperar levou para casa o prêmio!!!


"A história se passa na Berlim oriental, em novembro de 1984. Cinco anos antes do fim da República Democrática Alemã (a DDR). O governo oriental busca assegurar seu poder através de um cruel sistema de controle e vigilância sobre os cidadãos. O capitão Anton Grubitz (Ulrich Tukur) busca ser promovido em sua carreira, com o apoio dos mais influentes círculos políticos da época, e para isso dá a um fiel agente do sistema, o protagonista do filme, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) o encargo de coletar evidências contra o bem-sucedido dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck).Entretanto, a "operação" tem um desdobramento surpreendente: ao submergir no mundo e nas vidas dos observados, o agente passa por mudanças profundas. A imersão nas vidas destas duas pessoas (daí o nome do filme "Das Leben der Anderen" - A Vida dos Outros), tanto em relação ao seu relacionamento amoroso, quando a suas formas de pensar e se expressar, torna Wiesler consciente da pobreza de sua própria existência. Isso lhe abre um mundo desconhecido, ao qual ele tentava até então resistir. "(Informações extraidas do site da CCBA- Centro cultural Brasil-Alemanha).

Não deixem de assistir a esta obra prima!!!

Abraço,

Maira Motta

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Alma Gêmea


"Uma alma gêmea é alguém cujas fechaduras coincidem com nossas chaves e cujas chaves coincidem com nossas fechaduras. Quando nos sentimos seguros a ponto de abrir as fechaduras, surge o nosso eu mais verdadeiro e podemos ser completa e honradamente quem somos. Cada um descobre a melhor parte."

Richard Bach
Imagem
Alma Gêmea - Bruno Lopes
Artista Plástico

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vivendo...

VIVENDO...
Nós, incautos e efêmeros passantes,
Vaidosas sombras desorientadas,
Sem mesmo olhar o rumo das passadas,
— Vamos andando para fins distantes...
Então, sutis, envolvem-nos ciladas
De pequenos acasos inconstantes,
Que vão desviando, a todos os instantes,
A linha leviana das estradas...
Um dia, todo o fim a que chegamos,
Vem de um nada fortuito, entretecido
Nas surpresas das horas em que vamos...
Para adiante! Ó ingênuos peregrinos!
Foi sempre por um passo distraído
Que começaram todos os destinos...
Raul de Leoni

Força Maldita

Eras fraco e feliz, sem meditar,
E na tua consciência vaga e obscura,
A vida, sob um luar de iluminura,
Era um conto de fadas para o olhar.
Um dia, um rude e pérfido avatar
Vestiu-te de uma força ingrata e impura,
E sonhaste a ciclópica aventura
De o espírito das cousas penetrar.
Mas, ah! homem ingênuo, desde quando
Deste o primeiro passo da escalada,
Foste, como um tristíssimo Sansão,
Na fúria da tua obra desgraçada,
Estremecendo, aluindo, derrubando
As colunas do Templo da Ilusão!...
Raul de Leoni

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Adeus a Pavarotti!!!



Modena (Itália), 7 set (EFE)- As portas da câmara ardente do tenor italiano Luciano Pavarotti, morto ontem por um câncer de pâncreas, reabriram hoje às 6h (1h de Brasília), e desde então uma incessante procissão de fãs se aproxima da catedral de Modena, no norte da Itália, para dar seu último adeus ao ídolo.Pouco antes da reabertura, algumas dezenas de pessoas já se concentravam às portas do Duomo. Mesmo sem grandes filas, não param de chegar admiradores.Uma mulher que esperava a abertura das portas disse à imprensa, antes de entrar na catedral, que "Modena ficou um pouco mais pobre".A praça onde se situa a igreja recebeu três mesas com livros de assinaturas. Em cada uma há uma foto de um sorridente Pavarotti em branco e preto.A câmara ardente permanecerá aberta até as 19h (de Brasília) de hoje, e no sábado até as 8h (de Brasília). O funeral será na própria catedral, no sábado, às 10h (de Brasília).A população e a imprensa poderão acompanhar a cerimônia do lado de fora da catedral, graças a dois telões que serão colocados na Praça do Duomo e na Praça de Santo Agostinho.Centenas de fãs já passaram ontem pelo caixão do tenor, de madeira clara e aberto, mas coberto com um tecido em tom bordeaux.Os restos mortais de Pavarotti foram vestidos com um fraque negro. Ele tem nas mãos um rosário e um lenço branco, como o que ele usava em muitos de seus concertos para enxugar o suor enquanto cantava.Hoje, espera-se que muitos amigos e músicos cheguem à catedral para prestar uma última homenagem a Pavarotti.

sábado, 4 de agosto de 2007

O pequeno príncipe


__Bom dia,disse a raposa.

__Bom dia,respondeu polidamente o principezinho,que se voltou,mas não viu nada.Eu estou aqui,disse a voz,debaixo da macieira...

__Quem és tu?perguntou o principezinho.Tu és bem bonita...

__Sou uma raposa,disse a raposa.

__Vem brincar comigo,propôs o principezinho.Estou tão triste...

__Eu não posso brincar contigo,disse a raposa.Não me cativaram ainda.

__Ah!desculpa,disse o principezinho.Após uma reflexão,acrescentou:

__Que quer dizer "cativar"?

__Tu não és daqui,disse a raposa.Que procuras?

__Procuro os homens,disse o principezinho.Que quer dizer "cativar"?

__Os homens,disse a raposa,têm fuzis e caçam.É bemincômodo!Criam galinhas também.É a única coisa interessante que eles fazem.Tu procuras galinhas?

__Não,disse o principezinho.Eu procuro amigos.Que quer dizer "cativar"?

__É uma coisa muito esquecida,disse a raposa.Significa "criar laços...".

__Criar laços?

__Exatamente,disse a raposa.Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente iguala cem mil outros garotos.E eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens necessidade de mim.Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.Mas se tu me cativas,nós teremos necessidade um do outro.Serás para mim único no mundo.E eu serei para ti única no mundo...

__Começo a compreender,disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...

__É possível,disse a raposa.Vê-se tanta coisa na Terra...

__Oh!não foi na Terra,disse o principezinho.A raposa pareceu intrigada:

__Num outro planeta?

__Sim.

__Há caçadores nesse planeta?

__Não.__Que bom.E galinhas?

__Também não.

__Nada é perfeito,suspirou a raposa.Mas a raposa voltou à sua idéia:

__Minha vida é monótona.Eu caço galinhas e os homens me caçam.Todas as galinhas se pareceme todos os homens se parecem também.E por isso me aborreço um pouco.Mas se tu me cativas,minha vida será como que cheia de sol.Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música.E depois,olha!Vês lá longe,os campos de trigo?Eu não como pão.O trigo para mim é inútil.Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.E isso é triste!Mas tu tens cabelos cor de ouro.Então será maravilhosoquando me tiveres cativado.O trigo,que é dourado,fará lembrar-me de ti.E eu amarei o barulho do vento no trigo...A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

__Por favor...cativa-me!disse ela.

__Bem quisera,disse o principezinho,mas eu não tenho muito tempo.Tenho amigos a descobrir e muitas coisasa conhecer.

__A gente só conhece bem as coisas que cativou,disse a raposa.Os homens não têm mais tempo de conhecer coisaalguma.Compram tudo prontinho nas lojas.Mas como não existem lojas de amigos,os homens não têm maisamigos.Se tu queres um amigo,cativa-me!

__Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.

__É preciso ser paciente,respondeu a raposa.Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim,assim,na relva.Eu te olhareipara o canto do olho e tu não dirás nada.A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.Mas,cada dia,te sentarás mais perto...No dia seguinte o principezinho voltou.

__Teria sido melhor voltares à mesma hora,disse a raposa.Se tu vens,por exemplo,às quatro da tarde,desde às três eucomeçarei a ser feliz.Quanto mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz.Às quatro horas então,estarei inquietae agitada:descobrirei o preço da felicidade!
Antoine de Saint-Exupéry em O pequeno príncipe

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"É preciso dizer, quando falamos em desencantamento do mundo,que este desencantamento é na verdade, o desencantamento do nosso olhar. porque a natureza permanece com seus encantos e com seu valor, independentemente do que os seres humanos possam pensar ou não a respeito. É o nosso olhar que,se desencantando, se torna mais opaco, mais restrito.Então reencantar o mundo é, na verdade, reencantar o nosso olhar."
Nancy Mangabeira Unger

Um dos mais belos presentes que a filosofia me deu!!!
Obrigada mestra por ter me concedido a honra de compartilhar contigo seus pensamentos e sabedoria!!!!