quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A Vida só é possível se reinventada.


A vida só é possível reinventada.

Anda o sol pelas campinas e passeia
a mão dourada pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas que vem
de fundas piscinas de ilusionismo...— mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as
algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira!
Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro,
não te alcanço...Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível reinventada.


Cecília Meireles

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

"Das Leben der anderen" - A vida dos outros


Um filme indescritível! De uma sensibilidade fora de série, só assistindo para conferir!!! A atuação de Ulrich Mühe (Gerd Wiesler) e Sebastian Koch (Georg Dreyman)me emocionaram e despertaram em mim uma angustia e um turbilhão de sentimentos durante todo o filme. O roteiro não poderia ser melhor desenvolvido, a riqueza de cada cena e a precisão de cada diálogo sem dúvida deve ter contribuido para o grande sucesso deste filme! É este o primeiro grande sucesso do diretor Florian Henckel von Donnersmarck, nascido em Colônia na Alemanha. O filme foi premiado como melhor filme na 19ª edição do European Film Awards, cuja cerimônia ocorreu em Varsóvia ,sendo premiado também o roteiro e Ulrich Mühe, protagonista do filme que recebeu o prêmio de melhor ator!Vale acrescentar que foi indicado pela Alemanha ao Oscar de melhor filme estrangeiro e como era de se esperar levou para casa o prêmio!!!


"A história se passa na Berlim oriental, em novembro de 1984. Cinco anos antes do fim da República Democrática Alemã (a DDR). O governo oriental busca assegurar seu poder através de um cruel sistema de controle e vigilância sobre os cidadãos. O capitão Anton Grubitz (Ulrich Tukur) busca ser promovido em sua carreira, com o apoio dos mais influentes círculos políticos da época, e para isso dá a um fiel agente do sistema, o protagonista do filme, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) o encargo de coletar evidências contra o bem-sucedido dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck).Entretanto, a "operação" tem um desdobramento surpreendente: ao submergir no mundo e nas vidas dos observados, o agente passa por mudanças profundas. A imersão nas vidas destas duas pessoas (daí o nome do filme "Das Leben der Anderen" - A Vida dos Outros), tanto em relação ao seu relacionamento amoroso, quando a suas formas de pensar e se expressar, torna Wiesler consciente da pobreza de sua própria existência. Isso lhe abre um mundo desconhecido, ao qual ele tentava até então resistir. "(Informações extraidas do site da CCBA- Centro cultural Brasil-Alemanha).

Não deixem de assistir a esta obra prima!!!

Abraço,

Maira Motta

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Alma Gêmea


"Uma alma gêmea é alguém cujas fechaduras coincidem com nossas chaves e cujas chaves coincidem com nossas fechaduras. Quando nos sentimos seguros a ponto de abrir as fechaduras, surge o nosso eu mais verdadeiro e podemos ser completa e honradamente quem somos. Cada um descobre a melhor parte."

Richard Bach
Imagem
Alma Gêmea - Bruno Lopes
Artista Plástico

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vivendo...

VIVENDO...
Nós, incautos e efêmeros passantes,
Vaidosas sombras desorientadas,
Sem mesmo olhar o rumo das passadas,
— Vamos andando para fins distantes...
Então, sutis, envolvem-nos ciladas
De pequenos acasos inconstantes,
Que vão desviando, a todos os instantes,
A linha leviana das estradas...
Um dia, todo o fim a que chegamos,
Vem de um nada fortuito, entretecido
Nas surpresas das horas em que vamos...
Para adiante! Ó ingênuos peregrinos!
Foi sempre por um passo distraído
Que começaram todos os destinos...
Raul de Leoni

Força Maldita

Eras fraco e feliz, sem meditar,
E na tua consciência vaga e obscura,
A vida, sob um luar de iluminura,
Era um conto de fadas para o olhar.
Um dia, um rude e pérfido avatar
Vestiu-te de uma força ingrata e impura,
E sonhaste a ciclópica aventura
De o espírito das cousas penetrar.
Mas, ah! homem ingênuo, desde quando
Deste o primeiro passo da escalada,
Foste, como um tristíssimo Sansão,
Na fúria da tua obra desgraçada,
Estremecendo, aluindo, derrubando
As colunas do Templo da Ilusão!...
Raul de Leoni

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Adeus a Pavarotti!!!



Modena (Itália), 7 set (EFE)- As portas da câmara ardente do tenor italiano Luciano Pavarotti, morto ontem por um câncer de pâncreas, reabriram hoje às 6h (1h de Brasília), e desde então uma incessante procissão de fãs se aproxima da catedral de Modena, no norte da Itália, para dar seu último adeus ao ídolo.Pouco antes da reabertura, algumas dezenas de pessoas já se concentravam às portas do Duomo. Mesmo sem grandes filas, não param de chegar admiradores.Uma mulher que esperava a abertura das portas disse à imprensa, antes de entrar na catedral, que "Modena ficou um pouco mais pobre".A praça onde se situa a igreja recebeu três mesas com livros de assinaturas. Em cada uma há uma foto de um sorridente Pavarotti em branco e preto.A câmara ardente permanecerá aberta até as 19h (de Brasília) de hoje, e no sábado até as 8h (de Brasília). O funeral será na própria catedral, no sábado, às 10h (de Brasília).A população e a imprensa poderão acompanhar a cerimônia do lado de fora da catedral, graças a dois telões que serão colocados na Praça do Duomo e na Praça de Santo Agostinho.Centenas de fãs já passaram ontem pelo caixão do tenor, de madeira clara e aberto, mas coberto com um tecido em tom bordeaux.Os restos mortais de Pavarotti foram vestidos com um fraque negro. Ele tem nas mãos um rosário e um lenço branco, como o que ele usava em muitos de seus concertos para enxugar o suor enquanto cantava.Hoje, espera-se que muitos amigos e músicos cheguem à catedral para prestar uma última homenagem a Pavarotti.

sábado, 4 de agosto de 2007

O pequeno príncipe


__Bom dia,disse a raposa.

__Bom dia,respondeu polidamente o principezinho,que se voltou,mas não viu nada.Eu estou aqui,disse a voz,debaixo da macieira...

__Quem és tu?perguntou o principezinho.Tu és bem bonita...

__Sou uma raposa,disse a raposa.

__Vem brincar comigo,propôs o principezinho.Estou tão triste...

__Eu não posso brincar contigo,disse a raposa.Não me cativaram ainda.

__Ah!desculpa,disse o principezinho.Após uma reflexão,acrescentou:

__Que quer dizer "cativar"?

__Tu não és daqui,disse a raposa.Que procuras?

__Procuro os homens,disse o principezinho.Que quer dizer "cativar"?

__Os homens,disse a raposa,têm fuzis e caçam.É bemincômodo!Criam galinhas também.É a única coisa interessante que eles fazem.Tu procuras galinhas?

__Não,disse o principezinho.Eu procuro amigos.Que quer dizer "cativar"?

__É uma coisa muito esquecida,disse a raposa.Significa "criar laços...".

__Criar laços?

__Exatamente,disse a raposa.Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente iguala cem mil outros garotos.E eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens necessidade de mim.Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.Mas se tu me cativas,nós teremos necessidade um do outro.Serás para mim único no mundo.E eu serei para ti única no mundo...

__Começo a compreender,disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...

__É possível,disse a raposa.Vê-se tanta coisa na Terra...

__Oh!não foi na Terra,disse o principezinho.A raposa pareceu intrigada:

__Num outro planeta?

__Sim.

__Há caçadores nesse planeta?

__Não.__Que bom.E galinhas?

__Também não.

__Nada é perfeito,suspirou a raposa.Mas a raposa voltou à sua idéia:

__Minha vida é monótona.Eu caço galinhas e os homens me caçam.Todas as galinhas se pareceme todos os homens se parecem também.E por isso me aborreço um pouco.Mas se tu me cativas,minha vida será como que cheia de sol.Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música.E depois,olha!Vês lá longe,os campos de trigo?Eu não como pão.O trigo para mim é inútil.Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.E isso é triste!Mas tu tens cabelos cor de ouro.Então será maravilhosoquando me tiveres cativado.O trigo,que é dourado,fará lembrar-me de ti.E eu amarei o barulho do vento no trigo...A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

__Por favor...cativa-me!disse ela.

__Bem quisera,disse o principezinho,mas eu não tenho muito tempo.Tenho amigos a descobrir e muitas coisasa conhecer.

__A gente só conhece bem as coisas que cativou,disse a raposa.Os homens não têm mais tempo de conhecer coisaalguma.Compram tudo prontinho nas lojas.Mas como não existem lojas de amigos,os homens não têm maisamigos.Se tu queres um amigo,cativa-me!

__Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.

__É preciso ser paciente,respondeu a raposa.Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim,assim,na relva.Eu te olhareipara o canto do olho e tu não dirás nada.A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.Mas,cada dia,te sentarás mais perto...No dia seguinte o principezinho voltou.

__Teria sido melhor voltares à mesma hora,disse a raposa.Se tu vens,por exemplo,às quatro da tarde,desde às três eucomeçarei a ser feliz.Quanto mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz.Às quatro horas então,estarei inquietae agitada:descobrirei o preço da felicidade!
Antoine de Saint-Exupéry em O pequeno príncipe

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"É preciso dizer, quando falamos em desencantamento do mundo,que este desencantamento é na verdade, o desencantamento do nosso olhar. porque a natureza permanece com seus encantos e com seu valor, independentemente do que os seres humanos possam pensar ou não a respeito. É o nosso olhar que,se desencantando, se torna mais opaco, mais restrito.Então reencantar o mundo é, na verdade, reencantar o nosso olhar."
Nancy Mangabeira Unger

Um dos mais belos presentes que a filosofia me deu!!!
Obrigada mestra por ter me concedido a honra de compartilhar contigo seus pensamentos e sabedoria!!!!

sábado, 7 de julho de 2007

Felicidade

Basta saberes que és feliz,e então
Já o serás na verdade muito menos:
Na árvore amarga da meditacao,
A sombra é triste e os frutos têm venenos.
Se és feliz e o não sabes,
tens na mão o maior bem
entre os mais bens terrenos
E chegaste à suprema aspiracao,
Que deslumbra os filósofos serenos.
Felicidade...Sombra que só vejo,
Longe do Pensamento e do Desejo,
Surdinando harmonias e sorrindo,
Nessa tranquilidade distraída,
que as almas simples sentem pela vida,
Sem mesmo perceber que estão sentindo...

"FELICIDADE"
Raul de Leoni(1895-1926)

sábado, 19 de maio de 2007

O diferente...


"Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser.
Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora,
momento e lugar errados para os outros.
Que riem de inveja de não serem assim.
E de medo de não agüentar, caso um dia venham a ser.
O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato.
Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas.
Supondo encontrar um chato onde está um diferente,
talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas.
Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem.
Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro.
Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride.
Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer -
alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores.
O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual,
a inveja do comum, o ódio do mediano.
O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão,
mas que está sempre certo.
O diferente começa a sofrer cedo, já no primário,
onde os demais, de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos, por omissão,
se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em: "Puxa, fulano, como você é complicado".
O que é o embrião de um estilo próprio em:
"Você não está vendo como todo mundo faz?"
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram
(e se transformam) nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno, agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.
Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera.
Aceita empregos que ninguém supõe.
Perde horas em coisas que só ele sabe importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar.
Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio,
e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados,
magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo,
excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande,
de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba.
Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam
para os pouco capazes de os sentir e entender.
Nessas moradas estão tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois."

Artur da Távola

Pensamentos de Drummond


Tela de Frederick Edwin Church


"Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

sexta-feira, 18 de maio de 2007

As Meninas


As Meninas - Velásquez

Uma das minhas telas prediletas!!! É fantástico não só os detalhes como a precisão de Velasquez nesta obra...a perfeita distribuição de luz e sombra.....uma nitidez fora do comum ....A obra está sendo pintada por ele....ele olha para seu modelo...seremos nós o seu modelo, já que ao admirar a tela nos colocamos diante do seu olhar artistico?.... mas se observarem bem há quadros no fundo, serão simples quadros ou há algo distinto ....o que se revela? Há realmente um modelo?Ou modelos?.... Uma crítica fantástica sobre esta tela foi escrita por Foucoult, aos interassado , é uma pedida e tanto!!!
Até mais,
Maíra Motta